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Renata Carvalho

Atriz, diretora, dramaturga e transpóloga.

Renata Carvalho estuda corpos trans/travesti desde 2007 - mesmo ano do seu percebimento travesti - com o seu trabalho como APV (agente de prevenção voluntária) em ISTs, HIV/AIDS, 
hepatites e tuberculose - pela secretária municipal de saúde de Santos - trabalhando com travestis e mulheres trans na prostituição por 11 anos.

Inicialmente o estudo era mais voltado para o campo da saúde e política - Carvalho é ativista dos direitos humanos e LGBTs, com foco nas pessoas trans e travestis - aos poucos como artista 
passa a estudar e recolher histórias, biografias, reportagens, artigos, publicações acadêmicas e produções artísticas com a temática trans/travestis, assim como, temas interseccionais
No teatro desde 1996 - comemorando este ano 25 anos de carreira - Carvalho percebe que a feminilidade do seu corpo dificultava sua presença nos palcos - fica dez anos na direção. Em 2012 estreia como atriz no solo “Dentro de mim mora outra” onde contava sua vida e travestilidade, esta é a primeira vez que a artista coloca seu corpo como objeto de pesquisa e passa a debatê-lo em cena, e isto, vai permear toda a sua produção artística - 2015 “Eu travesti”.

Renata explica:
“Em “A aula” Roland Roland Barthes nos ensina que a língua é facista, e não porque te impede  de dizer, mas sim porque te obriga a dizer. É preciso trapacear a língua, e é isso que eu também pretendo. Em “Grande sertão veredas”, Riobaldo diz: “Muita coisa importante falta nome”. Então resolvi nomeá-las, e o mais importante, passei a me nomear.”
A transpóloga nomeia seu estudo: "Transpologia" que denuncia a construção social, midiática, patológica, religiosa, criminal e hiper sexualizante que permeia o imaginário do senso-comum sobre pessoas trans/travestis. Imagético construído com o auxílio das artes com suas narrativas viciadas, estereotipadas e cheias de arquétipos com conteúdo transfóbico em suas apresentações e representações, a transfobia recreativa e o corpo risível das pessoas trans/travesti na arte e no humor, e por fim, a prática do transfake que exclui corpos trans/travestis dos espaços de atuação e criação artística. 
Em março de 2017 Carvalho funda o MONART - Movimento Nacional de Artistas Trans, e dentro dele, o “Manifesto Representatividade Trans - Diga SIM ao talento trans”, que visa a 
representatividade, inclusão e permanência coletiva de artistas trans/travestis nos espaços artísticos, assim como, pedem uma pausa na prática do transfake. No mesmo ano funda o “Coletivo T", primeiro coletivo artístico formado integralmente por artistas trans.
“Manifesto Transpofágico” é a continuidade desta pesquisa cênica. A transpofagia de Carvalho consiste em se alimentar das suas e dos seus - da sua transcestralidade - digere - as, 
devolvendo-as em arte, literatura e/ou educação - Carvalho é graduanda em Ciências Sociais.
Neste manifesto Carvalho convida o público a olhar o seu corpo travesti, incansavelmente, e nos apresenta a historicidade dele: “Meu corpo veio antes de mim, sem eu pedir”. Assim como sua 
construção: “De certa forma, eu fiquei grávida de mim mesma. Eu me pari”. O “Corpo Etapa” dos hormônios, silicone industrial e próteses mamárias. O punitivismo, o encarceramento em massa, 
a censura, a patologia, a AIDS, a diáspora e as violências e assassinatos aos corpos trans/travestis: “Eu não me descobri travesti, me gritaram”.
Renata fala baixo, pausada e ao microfone para “acalmar os olhos e os ouvidos cisgêneros” ao verem ou ouvirem a palavra travesti, repetida e iluminada diversas vezes. e pergunta: “Alguém 
quer me tocar?”.
“Manifesto Transpofágico” questiona como as pessoas enxergam o corpo travesti:”Por isso eu não preciso de rosto”. E explica: “Nós conhecemos as travestis recortadas, de cima do ônibus, a pé, de bicicleta, na moto ou no carro - ninguém chega perto ou conversa, porque somos perigosas - e é dessa fração de segundos que nossas imagens são formadas" . E mais, quais destas imagens cada um de nós ainda carregamos?
O espetáculo é dividido em dois momentos:
O primeiro momento é a apresentação do corpo travesti, suas historicidades, transcestralidade e as construções que rodeiam corpos trans/travestis.
O segundo momento Carvalho está na plateia e propõe uma conversa com o público expondo 
questionamentos pessoais e temas como: cisgeneridade, passabilidade, terminologias, entre 
outros, são provocados pela atriz que sempre lembra: “Alguém tem alguma pergunta de 
qualquer ordem?”

Manifesto Transpofágico

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“Hoje eu resolvi me vestir com a minha própria pele. O meu corpo travesti”.

Renata “se veste” com seu próprio corpo para narrar a historicidade da sua corporeidade. Renata se alimenta da sua “transcestralidade”.

Come-a, digere-a. Uma transpofagia. O Corpo Travesti como um experimento, uma cobaia. Um manifesto de um Corpo Travesti. Letreiro pisca TRAVESTI. TRAVESTI. TRAVESTI

Ficha Técnica 

Dramaturgia e atuação: Renata Carvalho

Direção: Luiz Fernando Marques 

Iluminação: Wagner Antônio

Vídeo Arte: Cecília lucchesi

Adaptação de luz e operação: Juliana Augusta

Produção: Corpo Rastreado

Co-produção: MITsp e Risco Festival

Difusão: Corpo a Fora

Curriculum - Show

2022 – OUTUBRO

Théâtre du Nord - Lille/ França

FIT Cádiz - Cádiz/ Espanha

2022 - SETEMBRO

Short Theatre Festival – Roma / Itália

Città delle 100 scale – Potenza / Itália

Mercúrio Festival – Palermo / Itália

Teatrino di Palazzo Grassi – Veneza / Itália

Primavera dei Teatri Festival – Catanzaro / Itália

Dublin Theatre Festival – Dublin / Irlanda

2022 - JULHO

Julidans Festival - Amsterdam / Holanda

 

2022 - JUNHO

Centro Cultural São Paulo – São Paulo / Brasil

FarOFFa do processo - São Paulo / Brasil

 

2022 - ABRIL

Trema Festival - Recife / Brasil

 

2022 – JANEIRO

Festival Santiago a Mil – Santiago / Chile

 

2021 – SETEMBRO

Festival d’Automne à Paris – Paris / França

2021 – JUNHO (online)

Global Forms Theater Festival – New York /USA

 

2021 – MAIO (online)

H&W Festival - London / UK

 

2021 – ABRIL (online)

FITEI – Porto / Portugal

 

2021 – FEVEREIRO (online)

Festival BH in Solos – Belo Horizonte / Brasil

 

2020 – MARÇO 

FarOFFa – São Paulo / Brasil

 

2020 - JANEIRO

15 FEVERESTIVAL - Campinas / Brasil

2019 – NOVEMBRO

Festival Mix Brasil - São Paulo / Brasil

 

2019 – OUTUBRO

Mostra Degeneradas – São Paulo / Brasil

 

2019 - APRIL

Semana de Arte Trans - Montevideo / Uruguay

 

2019 – MARÇO

ESTREIA

MITsp – Mostra Internacional de Teatro – São Paulo / Brasil