LIA RODRIGUES CIA DE DANÇAS
Nasceu em 1956 em São Paulo, Brasil, onde estudou balé clássico e História na Universidade de São Paulo (USP). Em 1977, foi uma das fundadoras do grupo Grupo Andança. Entre 1980 e 1982, trabalhou na Companhia de Maguy Marin, na França, e participou da criação de "May B", um dos clássicos da dança contemporânea. Em 1990, criou a Lia Rodrigues Companhia de Danças, que tem 27 obras dirigidas por ela e já se apresentou, diversas vezes, em países dos seis continentes. Em 1992, criou o festival de dança Panorama, que dirigiu até 2005. Junto com a REDES da Maré fundou, em 2009, o Centro de Artes da Maré e, em 2011, a Escola Livre de Dança da Maré. Lia já recebeu inúmeros prêmios e condecorações em sua carreia. Ela dá cursos, workshops e conferências no mundo todo e promove intercâmbios artísticos nacionais e internacionais, além de parcerias com diversas instituições.
BORDA
Em português, a palavra “borda” vem do verbo bordar, que significa enriquecer, realçar, elaborar. Também pode se referir a fronteira, limite, limiar, franja, margem, barreira, linha de demarcação – aquilo que separa. Existem fronteiras geográficas e políticas, às vezes materializadas em muros, arames farpados, portões ou postos de controle. Em muitos casos, essas fronteiras marcam zonas de oposição: hospitalidade e hostilidade, liberdade e dominação, inferioridade e superioridade, o que é considerado nativo e o que é visto como estrangeiro. As fronteiras também podem distinguir grupos e povos, humanos e não humanos, e estabelecer territórios. Quem tem permissão para atravessar?
Quem fica e quem é mantido do lado de fora? Quem pertence e quem não pertence? Quem tem o direito de existir? A borda pode ser também um lugar intermediário – um entre-lugar.
Espaço de passagem, permanência e encontro. Lugar de ninguém e de todes. De quem chega, de quem parte, de quem fica. Em sentido figurado, a palavra “borda” também está relacionada ao ato de imaginar, fantasiar. A imaginação intensifica sonhos, miragens, e nos dá a possibilidade de ir além das fronteiras. “Borda”, nova criação da Lia Rodrigues Companhia de Danças, nasceu no Centro de Artes da Maré, no Rio de Janeiro, e foi tecida paciente e laboriosamente como um lugar poroso de alteridades fluidas – um bordado onde as margens se movem, flutuam e dançam.

FICHA TÉCNICA
Criação: Lia Rodrigues
Dançado e criado em colaboração com: Leonardo Nunes, Valentina Fittipaldi, Andrey da Silva, David Abreu, Raquel Alexandre, Daline Ribeiro, João Alves, Cayo Almeida, Vitor de Abreu
Assistente de criação: Amália Lima
Dramaturgia: Silvia Soter
Colaboração Artística e Imagens: Sammi Landweer | Design de iluminação: Nicolas Boudier | Assistentes de iluminação: Magali Foubert e Baptistine Méral | Diretor Técnico/ Brasil: Jimmy Wong | Assistente Técnico: Matheus Espessoto | Trilha sonora: Miguel Bevilacqua (a partir de trechos da gravação feita em 1938 no norte do Brasil pela Missão de Pesquisa Folclórica idealizada pelo escritor e intelectual Mário de Andrade / Trecho da música “Amor Amor Amor”, de domínio público, que compõe o repertório do “Cavalo Marinho”, dança dramática brasileira, interpretada por Luiz Paixão.) | Mixagem e masterização: Ronaldo Gonçalves | Produção/difusão: Colette de Turville/ Assistente de produção: Astrid Toledo | Produção Brasil: Corpo Rastreado - Gabi Gonçalves e Leo Devitto | Secretária/Administração: Gloria Laureano | Apoio logístico Centro de Artes da Maré: Sendy Silva | Professores: Amália Lima, Leonardo Nunes, Valentina Fittipaldi, Andrey Silva | Figurinos: Lia Rodrigues Companhia de Danças | Estagiária: Cecília Carvalhosa | Costureira: Antônia Jardilino De Paiva | Agradecimentos: Thérèse Barbanel, Corpo Rastreado, Inês Assumpção, Luiz Assumpção, Diana Nassif, equipe do Centro de Artes da Maré, Jacques Segueilla.
Dedicado a Max Nassif Earp
Produção: Lia Rodrigues Companhia de Danças | Coprodução : Kunstenfestivaldesarts - Bruxelles/ Maison de la danse/Pôle européen de création, en soutien à la Bienal de Lyon / Chaillot - Théâtre National de la Danse – Paris / Le CENTQUATRE - Paris/ Festival d’Automne à Paris / Wiener Festwochen - Wien / La Bâtie - Festival de Genève - Comédie de Genève / Romaeuropa-Rome/ PACT Zollverein - Essen/ One Dance Festival-Plovdiv /Theater Freiburg/ Muffatwerk- Münich / Passages Transfestival - Metz / Festival Perspectives – Saarbrücken / Le Parvis scène nationale Tarbes-Pyrénées / Tanz im August /HAU Hebbel am Ufer – Berlin/ Théâtre Garonne, scène européenne – Toulouse Le Lieu Unique, Scène nationale de Nantes (en résidence à La Libre Usine)
Avec le soutien de la Fondation Ammodo, Redes da Maré e Centro de Artes da Maré
Lia Rodrigues é Artista associada do teatro CENTQUATRE-PARIS /França e da Maison de la danse/Polo europeu de criação em parceria com a Biennale de la danse de Lyon/França
ENCANTADO
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FICHA TÉCNICA
Criação e direção: Lia Rodrigues;
Dançado e criado em colaboração por: Leonardo Nunes, Valentina Fittipaldi, Andrey Da Silva, David Abreu e Raquel Alexandre;
Também dançado por: Daline Ribeiro, Cayo Almeida, Vitor de Abreu e Sanguessuga;
Colaboração na criação: Carolina Repetto, Joana Castro, Larissa Lima, Matheus Macena, Ricardo Xavier e Tiago Oliveira;
Assistente de criação e direção: Amália Lima;
Dramaturgia: Silvia Soter;
Colaboração artística e imagens: Sammi Landweer;
Criação de luz: Nicolas Boudier, com assistência técnica de Baptistine Méral e Magali Foubert;
Iluminação (criação e operação) no Brasil: Jimmy Wong;
Trilha sonora e mixagem: Alexandre Seabra (a partir de trechos de músicas do povo Guarani Mbya – Aldeia de Kalipety da T.I. Tenondé Porã – cantadas e tocadas durante marchas de povos indígenas em Brasília, em agosto e setembro de 2021, contra o Marco Temporal);
Produção no Brasil: Corpo Rastreado – Gabi Gonçalves e Leo Devitto
Produção e difusão internacional: Colette de Turville, com assistência de Astrid Toledo;
Administração na França: Jacques Segueilla;
Idealização e produção do projeto de apoio do Instituto Goethe: Claudia Oliveira;
Secretária e administração: Glória Laureano;
Professores: Amalia Lima, Sylvia Barretto e Valentina Fittipaldi;
Agradecimentos: Thérèse Barbanel, Antoine Manologlou, Maguy Marin, Eliana Souza Silva e equipe do Centro de Artes da Maré.
Uma coprodução: de Scène Nationale Carré-Colonnes; Le TAP – Théâtre Auditorium de Poitiers; Scène Nationale du Sud-Aquitain; La Coursive – Scène Nationale de La Rochelle; L’empreinte, Scène Nationale Brive-Tulle; Théâtre d’Angoulême Scène Nationale; Le Moulin du Roc, Scène Nationale à Niort; La Scène Nationale d’Aubusson; Kunstenfestivaldesarts (Brussels); Brussels, Theaterfestival (Basel); HAU Hebbel am Ufer (Berlin); Festival Oriente Occidente (Rovereto); Theater Freiburg; l’OARA – Office Artistique de la Région Nouvelle Aquitaine; Julidans (Amsterdam); Teatro Municipal do Porto; Festival DDD, Dias de Dança; Chaillot – Théâtre National de la Danse (Paris); Le CENTQUATRE-PARIS e Festival d’Automne à Paris.
Com apoio de FONDOC (Occitanie)/França; Fundo Internacional de Ajuda para as Organizações de Cultura e Educação 2021 do Ministério das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros; e Fondation d’entreprise Hermès/França, com a parceria de France Culture.
Uma produção da Lia Rodrigues Companhia de Danças com apoio da instituição Redes da Maré, da Campanha “A Maré diz não ao Coronavírus – Projeto Conexão Saúde” e do Centro de Artes da Maré.
Lia Rodrigues é artista associada ao CENTQUATRE, na França.
“Encantado” é dedicado ao Oliver.
A palavra ‘encantado’, do latim incantatus, designa algo que é ou foi objeto de encantamento ou de feitiço mágico. ‘Encantado’ é também sinônimo de maravilhado, deslumbrado ou fascinado e também uma expressão de cumprimento social.
No Brasil, a palavra ‘encantado’ tem ainda outros sentidos. O termo se refere às entidades que pertencem a modos de percepção de mundo afro-ameríndios. Os ‘encantados’, animados por forças desconhecidas, transitam entre céu e terra, nas selvas, nas pedras, em águas doces e salgadas, nas dunas, nas plantas transformando-os em locais sagrados. São seres que atravessam o tempo e se transmutam em diferentes expressões da natureza. Não experimentaram a morte, mas seguiram em outro plano, ganhando atribuições mágicas de proteção e de cura. Deste modo, as ações predatórias que ameaçam a vida na Terra, a destruição sistemática das florestas, dos rios e do mar impactam também a existência dos Encantados. Não há como separar os encantados da natureza ou a natureza desses seres.
‘Encantado’ é o título da nova criação da Lia Rodrigues Companhia de Danças que se inicia no contexto da crise sanitária provocada pelo covid-19. A escolha desse título nasceu do desejo de usar a magia e a encantação como guias para conduzir o nosso processo criativo que acontece nesse momento dramático em que vivemos no Brasil.
Como encantar nossos medos e nos colocarmos no coletivo, próximos uns dos outros? Como encantar o que nos cerca, imagens, danças e paisagens e transforma-las em nossos corpos e ideias? Como entrar em encantamento e nos acoplarmos, nós e o ambiente, em arranjos variados e ir ao encontro dos seres viventes em toda a sua diversidade?
